É conhecido o impacto da actividade cultural na economia, a qual representa cerca de 3% do PIB português. Como é evidente, este impacto tem repercussões em outros campos da vida social. No caso de Évora, uma cidade com forte vocação turística, a actividade cultural potencia o património histórico e, ao fazê-lo, estimula a economia local gerando receitas directas e indirectas, cria emprego, fixa populações, contribui para aumentar o tempo de permanência de turistas e reforça a imagem de Évora como cidade de cultura e com qualidade de vida.
Ora, a qualidade de vida e a actividade cultural são inseparáveis. Por conseguinte, qualificar a vida cultural da cidade pressupõe apostar nas dinâmicas criadas pelos agentes e incentivar as práticas dos artistas locais e de outros que se possam cá instalar. A imagem de Évora como cidade de cultura resulta fundamentalmente das iniciativas dos programadores e criadores locais – nas artes do espectáculo (música, teatro, dança), nas artes plásticas, no cinema, na valorização do património – o mesmo se diga da própria vivência quotidiana da sociedade eborense, não negligenciando o impacto decorrente das suas actividades também na vida económica da cidade, como ficou claro.
Para se ter uma ideia, em 2009 a agenda cultural de Évora foi preenchida em mais de 60% pela programação destes agentes culturais.

Nos orçamentos que suportam o seu trabalho, estes agentes culturais conjugam financiamentos de diversos sectores, públicos, privados, comunitários, consoante a dimensão das iniciativas desenvolvidas. O papel do financiamento municipal, além de conferir a territorialidade dos eventos, é também estruturante, em muitos casos, para que outros financiamentos sejam possíveis – por exemplo, há parcerias em curso e candidaturas que envolvem os serviços do Ministério da Cultura para os quais o financiamento da Câmara Municipal de Évora é condição necessária.

Acontece que, relativamente ao ano de 2009, os compromissos da Câmara Municipal de Évora estão, na generalidade, por cumprir. Os agentes culturais signatários assinalam um valor da ordem dos 200.000 € em atraso, o que, além de os colocar, em muitos casos, na posição de devedores, compromete também não só a sua actividade regular como a possibilidade de assumirem novos compromissos – candidaturas, contratos-programa, parcerias.

Dada a importância destes agentes na programação da cidade é a oferta cultural de Évora que está posta em causa. E, consequentemente, é a própria qualidade de vida da comunidade que é irremediavelmente alterada.

Decorridos já quase cinco meses de 2010, não é razoável que o município mantenha o actual quadro de indefinição relativamente à sua relação com os agentes culturais. Esta situação está a contribuir para a criação de naturais perturbações no seu funcionamento uma vez que, nesta fase do ano, ainda não se conhecem os objectivos e propostas da Câmara Municipal para esta área de actividade, absolutamente determinante para a vida cultural da cidade Património da Humanidade.
Para que Évora possa assumir o papel de cidade de cultura, com dimensão no espaço regional, nacional e internacional, é necessária uma estratégia de intervenção cultural que resulte da conjugação de diversos factores diagnosticados e do conhecimento das entidades responsáveis.
Sabemos todos que não são fáceis os tempos que vivemos, daí que não se possa exigir da autarquia o que ela não pode dar. O que reivindicamos é, tão só, a definição de uma estratégia de intervenção devidamente transparente que garanta a salvaguarda da oferta cultural da cidade, bem como, o cumprimento dos compromissos previamente assumidos com os agentes, responsáveis por uma parte muito significativa das actividades culturais que regularmente acontecem na cidade e no concelho.

O financiamento municipal destas actividades assume um valor estruturante nas montagens financeiras dos diferentes projectos. A sua falta de cumprimento coloca problemas quanto à sustentabilidade e execução das actividades previstas para 2010. O concelho de Évora, a sua população e a economia local serão sempre os maiores prejudicados pelas paragens que esta situação já está a originar.

Ao tornar pública esta situação, fazemo-lo na convicção de que a vida cultural da cidade é também uma preocupação do público que dela participa, bem como de toda a sociedade eborense. Os agentes culturais abaixo assinados constituíram entretanto uma plataforma de intervenção, no sentido de poderem contribuir, com maior eficácia, para a solução dos problemas existentes. As preocupações que agora tornamos públicas foram já comunicadas à Câmara Municipal, em reunião realizada a nosso pedido, no passado dia 9 de Abril.

A Bruxa Teatro
CENDREV
Cineclube da Universidade de Évora/FIKE
Companhia de Dança de Évora
Departamento de Escultura em Pedra do Centro Cultural de Évora
Do Imaginário
Eborae Música
Escrita na Paisagem
Grupo Pró-Évora
Pé de Xumbo – Associação para a promoção de Música e Dança
Pim – Teatro
Sociedade Harmonia Eborense
SOIR Joaquim António de Aguiar
Trimagisto